Psicologia

Domingo, Outubro 15, 2006

COLÓQUIO IBÉRICO DE PSICOLOGIA

Profundas alterações no mundo contemporâneo criaram um novo contexto de produção científica, caracterizado pela desconstrução de antigas teorias e pela construção de uma nova rede de conhecimentos. Neste colóquio, serão analisadas algumas teorias recentemente desenvolvidas nas ciências sociais e na filosofia que compõem esta rede: as teorias pós-modernas, as teorias da modernização reflexiva e a teoria Psicanalítica. Pretende-se com isto munir os psicólogos de conhecimentos advindos de outros campos disciplinares que sirvam como ponto de partida para a análise das mudanças subjectivas introduzidas pelo novo cenário mundial. Argumentamos que a psicologia ainda observa o homem contemporâneo a partir de categorias tradicionais, desconsiderando que transformações sociais profundas geram impactos psicológicos não menos profundos e dificilmente captáveis a partir de antigos referenciais. Concluímos que um conhecimento mais aprofundado das transformações radicais em curso no mundo actual pode ajudar os psicólogos a rever suas antigas certezas a respeito do homem e a aventurar novos olhares sobre os também novos fenómenos humanos.


Dia 28 e 29 de Outubro, 2006

Local

UNIVERSITAT RAMON LLULL










Claravall 1-3 • 08022 Barcelona

Tel. 34 936 022 201

Fax 34 936 022 241


Segunda-feira, Setembro 04, 2006

MANSIDÃO, AFABILIDADE E DOÇURA NAS RELAÇÕES

Mansidão, afabilidade e doçura. Três palavras, três focos para o meu pensar enquanto ser que apreende e aprende no cotidiano repleto de conexões entre o meu “eu” e os outros “eus”. O texto de Pedro Peveda, que serve de epigrafe a esta introdução, me chegou num momento de minha história como aprendenteensinante
6 onde minhas ações práticas estavam (e continuam a
estar) cada vez mais voltadas para a busca, incessante, por pensamentos, metáforas e referenciais que as subsidiem. Colocar em prática o ser manso, dócil e afável num mundo cada vez mais competitivo, globalizado e individualista quase chega a ser um disparate, pois este não tem sido o principal motor do cotidiano das instituições e empresas, apesar de todas as discussões onde se apresentam mudanças de paradigmas. Observo que mesmo com todo o discurso posto em evidência em muitas reuniões, encontros, congressos, treinamentos, capacitações, etc, o que predomina,
infelizmente, é o agir e o pensar individual, pouco participativo e sem a solidariedade necessária. Entretanto, o que movimenta cada um de nós é o estar além desta constatação. É cada vez mais exigido o desenvolver de outros olhares, competências e habilidades no trato com o/aoutro/a: a cada instante é preciso estar atento os nossos padrões de atitudes e comportamentos e,
além disso, percebermos com mais consciência e criticidade nossas ações enquanto seres derelação.
A necessidade de mudanças fundamentais e de uma nova visão de futuro para nossas
vidas cotidianas é desafio premente, num mundo cada vez mais interdependente e,
inacreditavelmente, imprevisível.
A restauração de valores, a ampliação dos espaçostempos de leitura e ensinagem, o
conhecimento e as habilidades no estarjuntocom é uma preocupação de muitos/as que se
interessam no desenvolvimento de um outro tempo, de um outro mundo possível, mais justo,solidário e fraterno.
Estar neste movimento me remete ao pensar complexo, ao estar percebendo que
organismo, emoções, vida, imaginação e sonhos interagem em nossa psique e fomentam não sóos nossos processos de confiar no mundo do século XXI , como também as nossas capacidades
para lidar, de modo operativo e construtivo, com os seus desafios.

Quarta-feira, Agosto 02, 2006

Dor e sofrimento na evolução humana

Não se prenda às suas tristezas, contudo não deixe de vivê-las. Nem lá, nem cá. Observe calmamente e saboreie estes momentos, pois se encerra neles, justamente, a oportunidade de crescer e evoluir quanto ao desenvolvimento humano e ascender a condições melhores de sabedoria e amor. Todos queremos o céu, mas esquecemo-nos da trajetória, procurando adiar a caminhada. Dor e sofrimento fazem parte da natureza que habita em nós. São elas as formas pelas quais nos incomodamos e reagimos, e assim damos novos passos. E, mesmo sem perceber, modificamos o que fomos há pouco ou muito. É uma tentativa vã fugir das mudanças.

Vivenciar a dor e o sofrimento com menor receio nos aproxima de nós mesmos, levando-nos ao autoconhecimento, elemento crucial para que vivamos em maior plenitude. Quanto mais nos conhecemos e nos aceitamos, tanto melhor crescemos. Enxergando-nos com honestidade, abre-se a chance de modificar o que entendemos que deva ser modificado. Enganar-se, retarda qualquer modificação de nossa parte. É tarefa difícil compreender que o sofrimento existencial é um componente de nossa dinâmica de se viver, ao contrário, o enxergamos como um castigo, ou uma punição apenas.

Por outro lado, é justo almejar a alegria e o contentamento. Entretanto, é a eles que pretendemos nos apegar, procurando desconsiderar o seu oposto: as aflições. Vivemos a época da busca incontrolável pelo prazer. Busca-se o extremo nesta direção, e isso faz clara oposição a qualquer dissabor. Cria-se muita dificuldade em aceitar o que não faz parte do mundo prazeroso. É claro que se trata apenas de uma ilusão, mas ela tem poderosa força e ganha adeptos em crescente velocidade. São idéias que nos chegam de fora e as incorporamos. Crescemos aprendendo desta forma, e com isso nos tornamos presas fáceis da própria falta de conhecimento acerca de si mesmos, por não permitir o acesso que leva ao conhecimento do mundo de dentro.

Cuidado, não maldiga os momentos em que as aflições estão presentes, e tampouco tente fugir. A recusa implica em atraso, em lentas passadas nas viagens que temos pela frente. Mude aos poucos a percepção a respeito destas condições. Perceba as vantagens que podem ser aproveitadas, ainda mais se aceitarmos a inevitabilidade de ter que passar por estes momentos. Conquiste a calma necessária para lidar melhor mediante os sofrimentos da vida. Conhecer a este respeito já nos oferece uma posição privilegiada.

Com o sofrimento, o choro chega também, e ele traz alívio. É um amigo que conforta, deixando clara a sua missão: expressar o que vem do âmago, e ao mesmo tempo consolar. Se precisarmos reduzir o sofrimento, temos o recurso natural: o chorar. Chore, e lembre-se da sábia frase de Jesus: "Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados".

Confie em si mesmo, nas suas sensações e reflexões. Creia mais nas coisas que emanam de seu interior, elas são legítimas. As alegrias e aflições formam-se dentro de nós, e por esta razão, dizem respeito ao destino que lhes daremos. De que maneira nós as trataremos? É uma decisão particular, que pode até ser dividida e receber apoio, todavia é único o encaminhamento a ser dado.

Os momentos em que nos recolhemos e ficamos introspectivos e mais reservados devem ser aproveitados para uma bela e frutífera viagem interior. Nela, nos permitimos acessar sentimentos e situações diversificadas, como um relacionamento rompido e ainda aberto, um medo mediante certa decisão a ser tomada, mágoa, frustração, etc.

Temer menos a dor e o sofrimento aumenta a capacidade de se superar e aceitar, cada vez melhor, os reveses da vida. Amplia as chances de evolução. Há uma frase que descreve com propriedade as razões da aflição: "Quanto mais numerosos os espinhos, mais belas serão as rosas". Permitamo-nos ao convívio mais abrangente de tantas coisas que ainda não ocupam o espaço necessário e enriquecedor de nossas vidas.

Armando Correa de Siqueira Neto

Sexta-feira, Junho 30, 2006

Ser para Ter

"A felicidade não provém de terdes muito, mas sim, de serdes muito. Pois sendo muito, evidentemente, possuireis tudo o que desejardes". Com esta frase brilhante de Lourenço Prado, um estudioso do psiquismo e do desenvolvimento humano, pode-se refletir sobre o tipo de objetivo que as pessoas têm ao longo da vida. É possível almejar situações distintas: ter ou SER, e ainda, ambas. Via de regra, boa parte da população deseja ter, coisas de um modo geral. E, para tal, despende-se uma enorme quantidade de energia, haja vista os esforços que são necessários para se concretizar os desejos freqüentes de consumo.

No entanto, quando a pessoa possui conhecimento, experiência e sabedoria, torna a aquisição das coisas em geral, muito mais fáceis. Ou seja, quanto mais somos, em inteligência e aplicabilidade da mesma, melhor planejamos e obtemos os resultados do que pretendemos na vida. E, aqui especialmente, incluem-se outros tipos de aquisição, além dos objetos: amizade, simpatia, adaptação, compreensão, admiração etc. Para tanto, precisamos muito mais SER do que ter.

A medida em que se avança nesta direção, cada qual a sua maneira, faz-se mais portas se abrirem. As pessoas que crescem em SER são percebidas em virtude de sua atmosfera atraente. Assemelham-se a um imã, cujo magnetismo atrai e prende. Desta forma, o seu jeito diferente de SER cria novas formas de se relacionar e, conseqüentemente, amplia-se as chances de ser mais bem aceito e admirado.

SER é um estado que dá trabalho também, todavia vale qualquer esforço, uma vez que se adquire algo permanente, e não passageiro como os objetos. Assim, tem-se um tesouro que atrai outras riquezas, com solidez e segurança. Além, é claro, de aumentar o desenvolvimento pessoal, a auto-estima, o poder social etc. Deseje as duas condições para si próprio, priorizando o que fundamenta a ordem das coisas: SER para ter.

Armando Correa de Siqueira Neto